Apresentação

Blog oficial de Carlos Eduardo, onde podemos encontrar toda a produção textual deste, ainda desconhecido mas muito talentoso, escritor da nossa literatura pós-moderna.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

O bom filho à casa torna.

Desde quarta-feira passada (20) estou a fazer dois novos percursos. Um me leva a cada dia para o meu novo local de trabalho, a E.E. Marcílio Dias, local onde estudei por apenas 7 anos (da 5ª do fundamental ao 3º do médio), o outro caminho, me leva cada vez mais para perto daquilo que eu escolhi para a minha vida, ser professor. Este segundo caminho ainda está dificil de caminhar, ainda há pedras que terei que tirar, buracos que terei que aplainar, mas sinto uma vontade tão grande de trilhá-lo, que me baseio no texto de Isaías 41:3-4. Não é sobre este caminho que quero falar, quero falar sobre o primeiro, o concreto, este, abstrato, deixo para uma próxima vez (ou não).

Desde que comecei a estudar no Marcílio, sempre fiz o mesmo caminho, saindo da minha rua, passando pelas ruas São Jorge e Mato Grosso, até chegar à Avenida Tiago Ferreira e entrar na rua da escola. Mas hoje, ao fazer o mesmo caminho, que dura certa de 20 minutos (já cheguei a fazer em 15, quando estava atrasado), a minha visão foi completamente diferente. Reparei em coisas que nunca havia reparado, mas que estavam sempre ali, pensei em coisas que nunca tinha pensado, e, ao chegar na escola, perguntei-me o porquê de tudo isso, a resposta veio de onde eu menos esperava, da boca de um aluno da 5ª série, aluno este com quem me apeguei muito, desde a primeira vez que entre em sua sala. Com seus 11 ou 12 anos, ele consegui responder a todas as minhas indagações com um simples "boa tarde, professor". Era isso, como não havia pensado antes? Eu agora sou professor. Por alguns dias fiz o trajeto de casa até a escola pensando ainda ser aluno, não sabendo que agora carregava o peso de ser exemplo, de ser espelho, de ter uma profissão que tem a função de formar cidadãos para uma sociedade em que poucos deles terão a chance que eu tive, a chance de voltar depois de menos de 3 anos para ser professor na escola que me ensinou a ser homem, me ensinou a viver.

PROFESSOR! Foi o que ficou soando na minha mente ao longo das 6 aulas do dia. Professor, quem diria! nem mesmo eu imaginava que chegaria a tal ponto, apenas aquele que já tinha me escolhido no ventre de minha mãe sabia.

O caminho que um estudante percorre é diferente do caminho que um professor percorre. Só agora eu sei disso, só agora eu entendo. Anos atrás não era capaz de ouvir, apenas escutava, não era capaz de ver, apenas enxergava. Hoje meus sentidos mudaram, os meus sentimentos também. Estar de volta a escola que eu tanto aprendi a amar é algo indescritível, entrar na sala que eu estudei no último ano, faltam palavras. Ao saber que entraria numa sala de 3º ano imaginei ser a que eu, em um passado recente, estudei. E era. Após ter me apresentado à turma, demorei-me alguns minutos na minha análise da sala. Relembrei o passado. Os colegas de classe, os professores (inesquecíveis) e os amigos. Forçando a memória, pude relembrar de dias marcantes, de coisas boas e ruins que me aconteceram ali. Lembrei-me de amigos como o Djalma, que era da sala ao lado, dos Diegos, da sala em frente, da Clarinha, que era da minha sala e sentava na minha frente. Números 5 e 6, assim que o professor Sérgio, de Matemática nos chamava. Cada coisa estranha que nos acontece. Lembrei-me do dia em que trouxe o comprovante que dizia que eu tinha passado no vestibular de Letras para que a professora Patrícia, de Português, se orgulhasse de mim. E creio que se orgulhou. A cada aula, o que me chamava atenção era o comportamento dos alunos. Perguntei-me várias vezes ao longo do dia: "será que eu era assim?". Sei que chegar até aqui já é uma conquista, não a primeira e nem a última. Meu dia na escola foi o de tentar relembrar cada pedaçinho da escola, onde tanto tempo passei. No final, algo me dizia que valeu a pena aquele tempo, o tempo mais feliz da minha vida, o tempo em que fui criança e que estudei no Marcílio Dias.


Nossa, como ficou grande o texto, e olha que nem falei tudo o que queria, o que sentia. Deixo isso para um possível livro, quem sabe. Está aí uma oportunidade de fazer muita gente chorar. Não esqueci de ninguém, apenas ocultei alguns nomes e fatos para que não estrague a surpresa que vos preparo. Talvez no final do ano eu venha a escrever um conto, uma história, um romance, um recado ou um email com tudo o que me fez chegar até aqui.


Abraço,

Do (agora) professor,

Carlos Eduardo.

5 comentários:

  1. Queria tanto dar aula no colégio que eu estudei no fundamental e uma parte do médio =)
    Deve ser muito legal!

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  2. confesso que invejo um pouquinho, mas fico feliz por vc. Sei como é a sensação de passar por um lugar conhecido, mas como uma nova pessoa. É mto bom mesmo!!! Quem sabe um dia viverei no Castelo o que vivi no Nóbrega.

    Fica aqui meu desejo de boa sorte, e que vc faça essa molecada ter tanto amor pela escola como vc aprendeu a ter.

    Parabéns pelo esquema Nome de filme + post. Acho q adotarei isso no LMB!

    rsrsrsrs

    Um abraço e saudações acadêmicas!
    Torço por você!

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  3. Aee Carlos, que belo post!
    Fico muito feliz por vc, pela sua nova experiência, pelos seus novos caminhos e pela forma bonita com que vc enxerga isso tudo.
    Infelizmente eu não vou ter a oportunidade de retornar a escola onde estudei como profissional, estudei longe daqui, mas imagino como deve ser a emoção.
    Realmente ser reconhecido, ser chamado de professor é maravilhoso, a pessoa responsável por encaminhar e formar cidadãos!
    Vc vai longe, até pq deixa claro que é feliz pela escolha que fez, isso é genial!
    Boa sorte sempre!
    Bjos

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  4. Aweeeeeee voltei!!!!!!!

    Gostei do post, viu!!!

    Realmente agora a gente enxerga as coisas de uma maneira diferente, pra gente tão óbvia, outras vezes nem tanto...rs
    É um exercício a cada dia ser professor, sempre uma nova descoberta, novos aborrecimentos, mas também muito orgulho, mtas risadas e um sentimento enorme de que a gente é capaz SIM de mudar alguém! Sempre pra melhor é claro! hauahuahuah

    bjão! =)

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